Apresentação do meu quinto livro



Livro: "A interpretação crítica da Bíblia: Espinosa, Gunkel e Bultmann"

"Nesta obra o autor demonstra como os textos bíblicos podem ser esclarecidos não só a partir de determinantes teológicos e doutrinários, mas também a partir de seu contexto histórico, cultural, político e ideológico. Numa palavra, os textos bíblicos refletem aquilo que Wittgenstein chama de “formas de vida”. Ao ler as Escrituras, poderemos entender,com o auxílio deste livro, o contexto no qual elas foram escritas, o que nos esclarece do ponto de vista exegético, hermenêutico e homilético. Os conceitos são expostos de forma sucinta e comunicativa e o caráter sintético da obra lhe confere um teor propedêutico e didático.
Diante da amplitude do tema abordado, o livro apresenta uma seleção de autores que se dedicaram à crítica bíblica, começando por uma abordagem de Baruch de Espinosa, filósofo do século XVII que deixou grande contribuição para a interpretação da Bíblia na obra Tratado Teológico-Político, tornando-se uma referência no que diz respeito tanto à História de Israel quanto à Exegese.
Depois disso, começando por Wellhausen, o autor faz uma exposição histórica sobre os estudos críticos da Bíblia, mostrando como os esforços de erudição e a crítica dos textos bíblicos, pelos quais se analisam a forma literária, as fontes, a autoria, a data de composição, o contexto social, econômico e político de sua produção, contribuem para que os leitores tenham uma compreensão contextualizada tanto dos textos bíblicos quanto dos propósitos de seus autores.
Devido à extensão do cânon bíblico o autor se detém, em relação ao Antigo Testamento, na obra de Gunkel e em sua interpretação do Livro dos Salmos a partir dos conceitos de “situação vital”, “gênero do texto” e “forma da linguagem”, o que permite uma compreensão do contexto da redação do texto bíblico, bem como uma ampliação das possibilidades de sua compreensão. Como os Salmos são lidos por pessoas de diferentes confissões religiosas, essa parte do livro, por seu caráter didático, apresenta um valor hermenêutico e querigmático de grande relevância.
Na parte dedicada ao Novo Testamento o autor examina, de forma detalhada e com exemplos abundantes para corroborar seus argumentos, a contribuição de Bultmann e de outros estudiosos do ponto de vista da crítica da forma, tratando com detalhes a tese segundo a qual há narrativas dos Evangelhos que apresentam, ao lado dos elementos factuais, aspectos literários de caráter lendário ou mitológico, bem como o fato de que há textos dos Evangelhos que fazem referência a um período no qual a Igreja nascente já se encaminhava para a institucionalização,o que se confirma pelo fato de haver narrativas que se referem a fatos posteriores ao ministério de Jesus, agregando tanto seus ensinamentos quanto a tradição oral, como se verifica no prefácio do Evangelho de Lucas, cujo autor procurou narrar os fatos na ordem de sua ocorrência,segundo testemunhas que os presenciaram, enquanto outras narrativas indicam que sua redação ocorreu num período em que a comunidade cristã já se utilizava do termo “Igreja”, como aparece no Evangelho de Mateus, o que indica a posterioridade do texto em relação ao ministério de Jesus.Tanto por seu conteúdo quanto pela forma da exposição dos conceitos, apresente obra, além de sua contribuição para a crítica bíblica, por seu caráter erudito, apresenta também a virtude de ter sido escrita em estilo comunicativo e didático, sendo relevante para a interpretação e a proclamação da Palavra de Deus em nosso contexto, marcado pela secularização, no qual devemos estar habilitados para responder a todo aquele que nos pedir a razão da esperança que há em nós (I Pd 3.15)".

Isaar Soares de Carvalho
Doutor em Filosofia (UNICAMP). Pós-Doutor em Letras Clássicas e Vernáculas (USP).
Docente da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).