Os dêiticos em 2 Tessalonicenses 2


Introdução

Este artigo apresenta uma interseção da linguística com a teologia. Ele procurou explicar a organização do texto da perícope de 2 Tessalonicenses 2 através dos elementos dêiticos.

dêixis
O termo “dêixis” ou "deixis" é de origem grega “δεἴξις”- é uma variação do verbo “δείκνυμι”, “mostrar”.[1] O estudo dos elementos dêiticos em um enunciado não se limita a extrair do contexto este ou aquele elemento isolado para os quais apontam, mas fazer emergir da situação de enunciação marcos referenciais indispensáveis à ancoragem enunciativa.[2] O vocábulo “deixis” foi empregado pela primeira vez no II século d.C. pelo gramático grego Apolônio Díscolo[3] para descrever as funções dos pronomes pessoais e demonstrativos. Assim a primeira ocorrência do termo “deixis” surge no domínio da descrição gramatical sem uma relação explícita com a teoria da significação linguística.[4] Todavia, sabe-se que antes de Apolônio os antigos filósofos já discutiam sobre linguagem e semiologia: [5]  

Já em Crátilo de Platão se debatia sobre o caráter natural ou convencional da linguagem verbal e com os Estoicos a reflexão semiológica desenvolve-se, chegando a uma análise do signo linguístico na sua dupla face (significante-significado) que se aproxima bastante da moderna distinção saussuriana

Mas, foi somente a partir de Agostinho que se consumou a tendência para conceber a teoria da linguagem como inseparável da teoria semiológica.[6] Daí ele ser considerado o primeiro dos semiólogos.[7]Com ele inicia-se a longa fase em que a semiologia se desenvolve em ligação com a teologia. Uma conexão que conforme destacado por alguns autores foi a característica constitutiva de toda a problemática cristã.[8]
Alguns séculos depois de Agostinho surge na Idade Média uma teoria do sinal e da significação ligada ao nome de Tomás de Aquino.[9] Naquela altura a teoria semiológica escolástica ligada à gramática já podia ser tomada como uma desenvolvida teoria do signo linguístico.[10]
Nos dias atuais o interesse pela teoria da “deixis” indica o lugar central que ocupa nos estudos linguísticos que discutem a problemática do sujeito.[11] Na teoria da enunciação, por exemplo, “deixis” se refere aos elementos no texto que apontam diretamente ao contexto situacional da enunciação.[12] Essa abordagem teve sua origem na análise dos “shiffters” de Jakobson; dos “performativos” de Austin, e na “categoria de pessoa” de E. Benveniste. Esses teóricos demonstraram que é impossível separar a língua da atividade do falante.[13]Eles também ressaltaram que a elocução inscreve-se em um lugar, tempo e com pessoas específicas.
Os dêiticos são descritos como os responsáveis em indicar o contexto espacial, temporal e pessoal da enunciação.[14] São unidades linguísticas cujo funcionamento semântico-referencial implica uma consideração do papel que tem no processo de enunciação.[15] Na enunciação essas unidades apresentam-se como, o “eu”, (locutor); e o “tu”, (interlocutor), os quais se inserem num determinado tempo (agora) e num determinado espaço (aqui) e partilham (ou não) um universo de referência – o mundo extralinguístico. [16]
Foi a partir de Émile Benveniste em sua discussão sobre a realidade à qual se refere o “eu” e o “tu” que se passou a afirmar que essas instâncias são unicamente uma realidade do discurso:[17]

“Eu” só pode definir-se em termos de “locução” não em termos de objetos, como um signo nominal. “Eu” significa a pessoa que enuncia a presente instância do discurso que contém “eu”. Instância única por definição e válida somente na sua unicidade. Se percebo duas instâncias sucessivas de discurso contendo “eu” proferidas pela mesma “voz” nada ainda me assegura de que uma delas não seja um discurso referido, uma citação no qual “eu” seria imputável a um outro. É preciso, assim sublinhar este ponto: “eu” só pode ser identificado pela instância que o contém e somente por aí

A sintaxe do discurso na perspectiva benvenistiana se apresenta relacionada às projeções das instâncias da enunciação e das relações entre enunciador e enunciado, sendo a debreagem o mecanismo responsável em projetar no enunciado a pessoa (eu/tu), o tempo (agora) e o espaço (aqui). Há três debreagens enunciativas: de pessoa, tempo e espaço.[18] Em resumo, tem-se o seguinte: a enunciação se define como a instância de um “eu” – “aqui”- “agora”.[19] O “eu” é instaurado no ato de dizer: “eu”.[20] A pessoa a quem o “eu” se dirige é estabelecida com o “tu”.[21] Assim o “eu” e o “tu” são consequentemente os actantes da enunciação, os participantes da ação enunciativa.[22] 
A deixis revela o fenômeno que atesta a dependência da linguagem verbal ao contexto situacional em que é usada: “... o sujeito falante não pode se separar de um “aqui” e de um “agora” que se movem consigo a cada vez que se diz: “eu”.[23] Portanto, é no momento da enunciação que se instaura o presente – o agora - como um ponto de referência à noção de passado e de futuro.[24] Compreender como esse mecanismo funciona no discurso epistolar (que é o caso que esta pesquisa investiga: 2 Tessalonicenses 2) é vital, uma vez que nesse gênero literário, autor e os destinatários não ocupam o mesmo espaço, e, portanto, a referência ao contexto situacional torna-se indispensável:[25]

No texto epistolar, a presença do dispositivo dêitico, ou seja, dos elementos linguísticos que fazem a conexão da língua com a própria situação de enunciação é vital, na medida em que a situação de comunicação carece de ancoragem, de explicitação, reivindicando-se, assim, a sua presença contínua e permanente

Além disso, como Dominique Maingueneau observou “todo ato de enunciação é fundamentalmente assimétrico, exigindo do intérprete que reconstrua seu sentido a partir de indicações presentes no enunciado produzido.”[26]

As figuras dêiticas
Os estudiosos destacam quatro tipos de figuras ou expressões dêiticas na enunciação.[27] A primeira, denominaram “demonstratio ad oculos”. Essa figura tem como característica o fato de que tanto o enunciador quanto os objetos assinalados por meio dos dêiticos, segundo o origo, centro de orientação se encontram presentes na situação de expressão.[28]Daí ser possível acompanhar as enunciações dêiticas como gestos visuais e acústicos. No entanto, a significação inicial desses dêiticos dependerá da situação extralinguística do codificador.[29]
O segundo tipo dêitico dentro de um enunciado chama-se “deixis ad fantasma”. Esse tipo difere do primeiro, em que o centro de orientação, mas, não os objetos relacionados formam parte da situação canônica da enunciação.[30]Assim na “deixis ad fantasma” não é possível identificar os objetos relacionados através de gestos acústicos ou visuais.[31]Ela sempre se aplica a nomes abstratos ou objetos que não existem.[32]
O terceiro tipo dêitico se caracteriza pela exclusão do centro de orientação e dos objetos relacionados da situação canônica de expressão. Nesse tipo, o enunciador elimina seu centro real de orientação e se percebe localizado dentro de um espaço imaginado ou num espaço da memória.[33]
O quarto tipo dêitico se caracteriza por um centro de orientação que difere dos tipos 1,2 e 3, por sua falta de correspondência com a sua situação externa, real ou construída do codificador, mas corresponde bem a sua situação momentânea dentro do desenvolvimento de um texto, temporal ou localmente.[34] Em termos gerais, esses quatro tipos correspondem à classificação dos dêiticos em: pessoal, social, espacial, temporal, textual e de memória, como poderá ser visto a seguir.[35]

A dêixis pessoal
A deixis pessoal indica as pessoas do discurso que participam no ato de enunciação. Integra esse grupo os pronomes pessoais de 1ª e 2ª pessoa, eu, tu, nós, vós me, te, nos, vos. Os determinantes e pronomes possessivos de 1ª e 2ª pessoa: meu, teu, nosso, vosso, e os sufixos de pessoa e número como, por exemplo, (s) em cantas e (mos) em cantamos.[36]

A dêixis social
Com a deixis social destacam-se as escolhas sociais utilizadas pelos participantes do enunciado. Ela indica uma maior ou menor proximidade entre eles. Os dêiticos sociais levam em consideração os comportamentos sociais mais adequados a cada situação de interação comunicativa.[37]

A dêixis espacial
A indicação dos advérbios com valores locativos: aqui, ali, além, cá, lá; e certas locuções adverbiais: aqui, perto, lá de cima; pronomes e determinantes demonstrativos: este, esse, aquele, aquilo, o outro, o mesmo, e certos verbos de movimento integram a deixis espacial.[38]

A dêixis temporal
Com a deixis temporal pode-se localizar no tempo fatos relacionados com a enunciação. Integram os dêiticos temporais os advérbios de tempo: ontem, hoje, amanhã; as locuções adverbiais ou expressões de tempo: na semana passada, no dia seguinte, no próximo mês,[39]mas, também os sufixos flexionais de tempo, alguns adjetivos, preposições e locuções prepositivas.

A dêixis textual
Na deixis textual pode-se notar como ocorreu a materialização do texto, colocando de lado a situação real de comunicação e passando a evidenciar o cotexto. Nela os elementos dêiticos têm como características situar os enunciados no espaço/tempo do cotexto, direcionando o interlocutor por dentro dele.[40]

A dêixis de memória
Com a deixis de memória busca-se estimular o interlocutor em sua memória discursiva com respeito ao referente que ele compartilha com o locutor.[41]

O texto grego:[42]

2:1 Ἐρωτῶμεν δὲ ὑμᾶς, ἀδελφοί, ὑπὲρ τῆς παρουσίας τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ καὶ ἡμῶν ἐπισυναγωγῆς ἐπʼ αὐτόν,
2 εἰς τὸ μὴ ταχέως σαλευθῆναι ὑμᾶς ἀπὸ τοῦ νοὸς μηδὲ θροεῖσθαι μήτε διὰ πνεύματος μήτε διὰ λόγου μήτε διʼ ἐπιστολῆς ὡς διʼ ἡμῶν, ὡς ὅτι ἐνέστηκεν ἡ ἡμέρα τοῦ κυρίου.
3 μή τις ὑμᾶς ἐξαπατήσῃ κατὰ μηδένα τρόπον· ὅτι ἐὰν μὴ ἔλθῃ ἡ ἀποστασία πρῶτον καὶ ἀποκαλυφθῇ ὁ ἄνθρωπος τῆς ἀνομίας, ὁ υἱὸς τῆς ἀπωλείας,
4 ὁ ἀντικείμενος καὶ ὑπεραιρόμενος ἐπὶ πάντα λεγόμενον  θεὸν ἢ σέβασμα, ὥστε αὐτὸν εἰς τὸν ναὸν τοῦ θεοῦ καθίσαι ἀποδεικνύντα ἑαυτὸν ὅτι  ἔστιν θεός.
 5 οὐ μνημονεύετε ὅτι ἔτι ὢν πρὸς ὑμᾶς ταῦτα ἔλεγον ὑμῖν;
6 καὶ νῦν τὸ κατέχον οἴδατε, εἰς τὸ ἀποκαλυφθῆναι αὐτὸν ἐν τῷ ἑαυτοῦ καιρῷ·
7 τὸ γὰρ μυστήριον ἤδη ἐνεργεῖται τῆς ἀνομίας· μόνον ὁ κατέχων ἄρτι ἕως ἐκ μέσου γένηται.
8 καὶ τότε ἀποκαλυφθήσεται ὁ ἄνομος, ὃν ὁ κύριος  Ἰησοῦς  ἀνελεῖ τῷ πνεύματι τοῦ στόματος αὐτοῦ καὶ καταργήσει τῇ ἐπιφανείᾳ τῆς παρουσίας αὐτοῦ,
9 οὗ ἐστιν ἡ παρουσία κατʼ ἐνέργειαν τοῦ Σατανᾶ ἐν πάσῃ δυνάμει καὶ σημείοις καὶ τέρασιν ψεύδους
10 καὶ ἐν πάσῃ ἀπάτῃ ἀδικίας τοῖς ἀπολλυμένοις, ἀνθʼ ὧν τὴν ἀγάπην τῆς ἀληθείας οὐκ ἐδέξαντο εἰς τὸ σωθῆναι αὐτούς·
11 καὶ διὰ τοῦτο πέμπει αὐτοῖς ὁ θεὸς ἐνέργειαν πλάνης εἰςτὸ πιστεῦσαι αὐτοὺς τῷ ψεύδει,
12 ἵνα κριθῶσιν πάντες οἱ μὴ πιστεύσαντες τῇ ἀληθείᾳ ἀλλὰ εὐδοκήσαντες τῇ ἀδικίᾳ.
13 Ἡμεῖς δὲ ὀφείλομεν εὐχαριστεῖν τῷ θεῷ πάντοτε περὶ ὑμῶν, ἀδελφοὶ ἠγαπημένοι ὑπὸ κυρίου, ὅτι εἵλατο ὑμᾶς ὁ θεὸς ἀπαρχὴν εἰς σωτηρίαν ἐν ἁγιασμῷ πνεύματος καὶ πίστει  ἀληθείας,
14 εἰς ὃ ἐκάλεσεν ὑμᾶς διὰ τοῦ εὐαγγελίου ἡμῶν, εἰς περιποίησιν δόξης τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ.
15 ἄρα οὖν, ἀδελφοί, στήκετε, καὶ κρατεῖτε τὰς παραδόσεις ἃς ἐδιδάχθητε εἴτε διὰ λόγου εἴτε διʼ ἐπιστολῆς ἡμῶν.
16 Αὐτὸς δὲ ὁ κύριος ἡμῶν Ἰησοῦς Χριστὸς καὶ θεὸς ὁ πατὴρ ἡμῶν, ὁ ἀγαπήσας ἡμᾶς καὶ δοὺς παράκλησιν αἰωνίαν καὶ ἐλπίδα ἀγαθὴν ἐν χάριτι,
17 παρακαλέσαι ὑμῶν τὰς καρδίας καὶ στηρίξαι ἐν παντὶ ἔργῳ καὶ λόγῳ ἀγαθῷ.

Os dêiticos destacados
Os dêiticos encontrados nessa passagem foram os seguintes, no verso 1 “ὑμᾶς” e “ἡμῶν”(duas vezes); com o pronome pessoal da 2ª pessoa acusativo plural: “ὑμᾶς” (vos) o autor designa o destinatário dentro da enunciação. Em outro momento, autor e destinatários[43]são destacados pelo uso do pronome plural da 1ª pessoa no genitivo “ἡμῶν” – “nosso”. Os pronomes “ὑμᾶς” e “ἡμῶν” indicam os interlocutores dentro do enunciado, são, portanto dêiticos pessoais. O pronome possessivo “ἡμῶν”- “nosso” salienta certa proximidade entre os interlocutores e aponta valores comuns entre eles. O substantivo “ἀδελφοί” (irmãos) tem um valor dêitico uma vez que aponta para o pertencimento do autor e do destinatário a um grupo social maior que é o cristianismo, ambos são cristãos. A frase “παρουσίας τοῦ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ” (vinda do Senhor Jesus Cristo) é uma expressão que faz parte do vocabulário dos interlocutores: reflete uma crença comum entre eles, isto é, a crença na Vinda (retorno) de Cristo Jesus e assim pode ser considerada uma marca socialmente dêitica. O mesmo pode ser dito da expressão: “ἡμῶν ἐπισυναγωγῆς” (nosso encontro) uma fórmula comum entre os interlocutores (cristãos). Percebeu-se também que com o uso do verbo “Ἐρωτῶμεν” – “pedimos” com flexão pronominal “μεν”- “nós” o autor se coloca no centro dêitico:[44]ele se apresenta dentro do enunciado pelo uso do pronome majestático. No verso 2 o autor usa o advérbio ταχέως (depressa) para evidenciar sua surpresa pelo fato dos destinatários terem mudado muito rápido de opinião sobre um determinado assunto.O autor é indicado no enunciado pela instância: “ἡμῶν” (nós). E no final do verso 2 ele recorre ao advérbio grego “ὡς” (como) para destacar dentro do enunciado o motivo da mudança de mente dos destinatários,tem-se, portanto nesses exemplos a presença de deixis textual.
No verso 5 na frase: “οὐ μνημονεύετε ὅτι ἔτι ὢν πρὸς ὑμᾶς ταῦτα ἔλεγον ὑμῖν[45] o autor ativa a memória discursiva dos destinatários recorrendo a dêixis de memória. O pronome demonstrativo plural “ταῦτα” – “estas” e o advérbio “ἔτι” –“ainda” indicam uma situação na qual a representação discursiva do autor e a recepção dos destinatários não acontecem no mesmo instante,[46] por isso o referente é evocado no próprio texto dando aos destinatários a impressão de terem acesso imediato ao estado cognitivo da enunciação.[47] Deve-se salientar ainda que nesse caso o verbo no imperfeito “ἔλεγον” (dizia) constitui um ponto de referência fundamental, pois remete para um tempo anterior ao da enunciação e simultaneamente fixa um ponto de referência discursivamente construído para uma nova relação de anterioridade expressa pelo verbo no perfeito “οἴδατε” (conheceis) no verso 6. Esses dois verbos têm, portanto valores dêiticos dentro do enunciado.
Nos versos 6 e 7 os dêiticos destacados são os seguintes: os advérbios de tempo, “νῦν” (agora), “ἤδη”(já), “ἄρτι”(agora). E aqui cabe uma explicação: para os estudiosos da teoria da enunciação os advérbios de tempo delimitam a instância temporal coextensiva e contemporânea do presente do discurso.[48] Para eles a enunciação é a base para a emergência do presente; sendo que o passado e futuro situam-se como pontos, para trás e para frente daquilo que o autor denomina – “agora”.[49] Indicando a contemporaneidade entre o evento narrado e o momento da narração. Desse modo o presente é constantemente reinventado toda vez que o autor se pronuncia.[50]No entanto, em alguns casos o advérbio “agora” pode não ser tão explícito como, por exemplo, quando ocorre em uma carta. É assim porque como o momento da produção não é simultâneo ao da recepção o presente linguístico necessita de uma ancoragem, de uma data, para que o leitor possa interpretar o termo “agora” e ou “já” dentro do enunciado.[51]
         
    Os dêiticos ressaltados em 2 Tessalonicenses 2 podem ser classificados em pessoais, temporais, de memória, sociais e espaciais. Como se mostrará a seguir.
    
No verso 1 a desinência verbal “μεν” - “nós” e o pronome “ὑμᾶς” - “vós” apontam para o autor e para os leitores dentro do enunciado tem-se aí o caso de dêixis pessoal. Com respeito à dêixis textual pode-se destacar no verso 6 a frase “καὶ νῦν” (e agora). A dêixis temporal aparece evidenciada pelos advérbios “νῦν” (agora) no verso 6;  ἄρτι” (agora) no verso 7; “ἤδη” (já) no verso 6,  e pela desinência verbal “ον” do verbo no imperfeito “ἔλεγον”, verso 5. A dêixis de memória pode ser percebida no pronome “ταῦτα” (estas), verso 5.
   Como dêiticos sociais destacam-se “ἀδελφοί” – (irmãos) verso 1; “ἡμῶν ἐπισυναγωγῆς ἐπ ̓αύτον” – (nosso encontro com ele) ; “τῆς παρουσιας τοῦ κυρίου ἡμῶν Ιησου Χριστου” – (a Vinda do nosso Senhor Jesus Cristo) ; “ὁ ἀγαπήσας ἡμᾶς” – ( o que amou a nós”, verso 16.
    A dêixis espacial é destacada no verso 2 pelo verbo “ἐνέστηκεν” – (tivesse vindo).

Conclusão
            Este artigo mostrou que certas teorias linguísticas podem ser ferramentas importantes para o intérprete da  bíblia. A teoria da enunciação e o conceito de dêitico, por exemplo, podem auxiliá-lo na compreensão da organização de um texto do livro sagrado.




[1] FONSECA, Fernanda Irene Araújo Barros. Deixis, tempo e narração. Dissertação apresentada em requisito ao doutoramento em Linguística Geral na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: <https//repositório-aberto.up.pt/handle/10216/10713>Acesso em: 28/04/2017. Ver também:GJERGJI, Shpresa. A pragmatic analyses of the use of types of deixis in poetry and novels of author Ismail Kadare. Academicus International Scientific Journal. Disponível em:< http://www.academicus.edu.al/nr12/Academicus-MMXV-12-134-146.html> Acesso em: 03/05/2016.
[2] FONSECA, Fernanda Irene Araújo Barros. Deixis, tempo e narração. Dissertação apresenta em requisito ao doutoramento em Lingüística Geral na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em <https//repositório-aberto.up.pt/handle/10216/10713>Acesso em: 28/04/2017.
[3] Ibid.
[4] FONSECA, Fernanda Irene Araújo Barros. Deixis, tempo e narração. Dissertação apresenta em requisito ao doutoramento em Lingüística Geral na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em <https//repositório-aberto.up.pt/handle/10216/10713>Acesso em: 28/04/2017.
[5] Ibid.
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] Ibid.
[11] FONSECA Fernanda Irene Araújo Barros. Dexis et anaphore temporelle em portugais. Disponível em <ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo6071.pdf> Acesso em 26/04/2017.
[12] GJERGJI, Shpresa.A pragmatic analyses of the use of types of deixis in poetry and novels of author Ismail Kadare. Academicus International Scientific Journal. Disponível em:< http://www.academicus.edu.al/nr12/Academicus-MMXV-12-134-146.html> Acesso em: 03/05/2016.
[13] MARI, Hugo; MACHADO, Ida Lucia; MELLO, Renato de. Análise do Discurso em perspectivas. Faculdade de Letras da UFMG, 2003,p.37.
[14] HONRUBIA, José Luis Cifuentes. Lengua y espacio. Introducción AL problema de La dêixis em español. Universidade de Alicate. Livro disponível em< rua.ua.es/dspace/bitstream/10045/33142/1/Cifuentes_Honrubia_Lengua_espacio.pdf> Acesso em 28/04/2017.
[15] Ibid.
[16] Ibid.
[17] BENVENISTE, Émile. Problemas da lingüística Geral. Ed.Nacional, Ed. da Universidade de São Paulo, 1976,p.278-279.
[18] SOUZA; SOUZA, 2008.p.4.
[19] FIORIN,1999, p.56.
[20] Ibid.
[21] Ibid.
[22] Ibid.
[23] SEBASTIÃO, Isabel Cristina dos Santos. Interactividade entre práticas e aprendizagens de leituras no ensino básico- o discurso epistolar. Lisboa: editora da Universidade de Nova Lisboa, 2012,p.25.
[24] Ibid.,p.27.
[25] SEBASTIÃO, 2012,p.28.
[26] MAINGUENEAU,2004,p.20.
[27] É importante destacar que existe mais de uma proposta classificatória sobre a dêixis, cf. FOLLY, Dara Raquel de Freitas. Análise do fenômeno da dêixis em discurso oral contextualizado em reunião da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Disponível em: <www.ufjf.br/revistagatilho/files2012/11/15-folly.pdf> Acesso em: 07/05/2017.
[28] HONRUBIA, José Luis Cifuentes. La deixis. Disponível em: < http://urbinavolant.com/archivos/1112/
Pragma/deixis.pdf>Acesso em: 07/05/2017.
[29] Ibid.
[30] Ibid.
[31] HONRUBIA, José Luis Cifuentes. La deixis. Disponível em: < http://urbinavolant.com/archivos/1112/
Pragma/deixis.pdf>Acesso em: 07/05/2017.
[32] Ibid.
[33] Ibid.
[34] Ibid.
[35] SILVA, Edvania Gomes da. A dêixis discursiva como elemento constituinte da semântica global. Estudos Lingüísticos, São Paulo, 37(3) set. dez, 2008. Disponível em: <http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/37/EL_V37N3_05.pdf> Acesso em 02/05/2017.
[36] LOPES, Ana Keyla Carmo; PACHECO, Jorge Tércio Soares. O estudo da dêixis no gênero carta literária. Revista de Letras- Nº 34- Vol. (2) Jul./dez, 2015, p.75.
[37] Ibid.
[38] LOPES, Ana Keyla Carmo; PACHECO, Jorge Tércio Soares. O estudo da dêixis no gênero carta literária. Revista de Letras- Nº 34- Vol. (2) Jul./dez, 2015, p.75.
[39] Ibid.
[40] Ibid.
[41] Ibid.
[42] O texto grego usado aqui é de O Novo Testamento Grego - Quarta edição. Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
[43] BORGES, Maria Virgínia. A Dêixis discursiva: formas de representação do sujeito, do tempo e do espaço no discurso. Revista do Gelne Vol. 2 Nº 2, 2000, p.1.
[44] GONDIM, Emanuela Monteiro. Advérbios dêiticos em – Mente. Revista de divulgação científica em língua portuguesa, lingüística e literatura, ano 09 – n.17 – 2º semestre de 2013.
[45] Tradução: Não vos lembrais de que ainda estando convosco estas coisas (eu) dizia a vós?
[46] Segundo Mônica Cavalcante o demonstrativo, não importa que seja “este” ou “esse” simplesmente guia o destinatário numa espécie de busca retroativa da entidade referida, cf. CAVALCANTE, Mônica Magalhães. A dêixis discursiva. Revista de Letras nº22 Vol.1/2 jan/dez, 2000, p.49.
[47] Lopes, Ana Keyla Carmo; Pacheco, Jorge Tércio Soares. Estudo da dêixis no Gênero carta literária. Revista de letras, Nº34- Vol. (2)-Jul./Dez, 2015, p.74-75. Ver Também: LAVARDA, Santa Terezinha Falcada; Bidarra, Jorge. A dêixis como um “complicador/facilitador” no contexto cognitivo e lingüístico em ambiente educacional face aos alunos com deficiência visual. Revista Brasileira de Educação Especial, V.13, N.3 Marília set/dez, 2007.
[48] KOELLING, Sandra Beatriz. Os dêiticos e a enunciação. Revista Virtual de Estudos da linguagem – ReVEL V.1, n.1, agosto de 2003, p.9.
[49] Ibid.
[50] Ibid.
[51] Ibid.,p.9-10.

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