Prefácio do meu quinto livro



A interpretação crítica da Bíblia : Espinosa, Gunkel e Bultmann”.
"É comum, quando vamos comprar um livro, pensar na utilidade dele. Há quem compre um livro apenas pela capa. Outros, porque têm simpatia pelo autor. E outros, ainda, porque são compulsivos. Compram livros como se compra banana na feira. Mas o ponto é que o bom leitor sabe que livro comprar. Geralmente, a sua escolha se dá por três razões principais: a utilidade, que pode ser imediata ou futura; o caráter didático da obra, que ensina de modo claro e direto; e a relevância temática, geralmente por algum ineditismo sobre o assunto. O professor Adriano da Silva Carvalho cumpre essas três expectativas. Sua obra é útil, didática e relevante. Ele trata de um assunto muito simbólico para todo estudioso da Bíblia. A natureza humana se movimenta por controvérsias. Não existe beleza se não houver movimento. Uma árvore de copas paradas não é tão bela quanto os arbustos cujas folhas se deixam levar pelos ventos. O movimento é divino. Deus se moveu ao criar o mundo. Até mesmo o seu descanso no sétimo dia foi para voltar-se e ver o que havia feito. E o tema da hermenêutica é sempre movimento. Interpretar é ir aqui e além sempre. É estar entre lacunas que nem sempre se preenchem. Em se tratando do texto bíblico, a crise é ainda maior, porque não estamos diante de um texto apenas humano, ele é também divino. E por ser inspirado, dependemos de quem o inspirou, o Espírito Santo, para entender cada detalhe. No que se refere ao engenho humano, o professor Adriano consegue expor com simplicidade e didatismo a escola de pensamento hermenêutico chamada de “crítica da forma”. Os principais representantes dessa escola – Hermann Gunkel, Karl Schmidt, Martin Dibelius e Rudolf Bultmann – defendiam que as narrativas acerca de Jesus Cristo, tanto quanto suas obras quanto ensino, foram transmitidas, em boa parte, oralmente. E à medida que essa tradição oral é confrontada com o texto escrito das Escrituras nos deixaria claro que o texto que temos é frágil e, portanto, não confiável. O intérprete deveria, na opinião desses autores, recuperar a originalidade, retirando o que há de acréscimo nos evangelhos. Naturalmente, parece uma proposta muito atraente, sobretudo em tempos de pós-modernidade e relatividade linguística. Usando as perguntas do Kevin Vanhoozer: “a Bíblia perdeu a sua voz? O que ‘escritura’ tem a ver com ‘Escritura Sagrada’?”. São questões que o professor Adriano objetiva responder ao criticar a crítica da forma. Ele apresenta as teorias, os teóricos Hermann Gunkel e Rudolf Bultmann, e depois apresenta suas conclusões. E é aqui que o professor Adriano parece trazer uma contribuição ainda mais relevante, em razão de que ele é capaz de não apenas destacar os defeitos da teoria, mas também aponta vantagens e correções. Isso nos mostra algo interessante sobre o coração humano. Por mais que um estudioso queira destruir, destronar ou mesmo negar a sobrenaturalidade da obra de Deus ou questionar seus efeitos, sempre haverá pontos de verdade nos quais Deus está se revelando. Ao mostrar que a crítica da forma, ainda que equivocada em muitos aspectos, traz contribuições importantes para os estudiosos da Hermenêutica, o professor Adriano nos ensina a ser ponderados em nossas avaliações e críticas. E isso é bom! Portanto, eu indico a obra do professor Adriano da Silva Carvalho, um bom amigo que Deus me deu o privilégio de conhecer e permanecer conhecendo. Não tenho dúvidas de que você poderá acrescentar à sua estante intelectual mais conteúdo pertinente e útil para seu crescimento no aprendizado das Escrituras Sagradas. Parabéns ao Adriano pela coragem de tocar em um assunto controverso e parabéns àqueles que adquirirem este livro! Agradeço ao Adriano pela gentileza em me facultar o privilégio de prefaciar o seu trabalho. Sinto-me distintamente honrado!"

Boa leitura!

Wendell Lessa Vilela Xavier
Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil – IPB
Doutor em Letras pela PUC-SP