Prefácio do meu oitavo livro





“O homem rico e Lázaro: um estudo literário e exegético”

 "Alguns temas dentro da Bíblia são famosos por serem complicados. Quando se fala de interpretação de parábolas, muitas vezes as pessoas saem correndo porque sabem que vai começar uma conversa complexa e que exige bastante raciocínio de todos os envolvidos. Parábolas não deveriam causar esse tipo de espanto nas pessoas, mas sim um fascínio resultante tanto de sua beleza literária quanto de sua profundidade teológica.
É bem verdade que muitos livros que tratam das parábolas do Novo Testamento não ajudam muito os leitores a ficarem fascinados por elas. Por vezes, esses livros causam mesmo uma sensação de que estamos entrando num mundo tão complexo e embaralhado que não somos capazes de compreender esses pequenos textos de maneira mais que superficial.
Superficialidade é o que não encontramos no livro do meu querido amigo Adriano Carvalho que tenho o privilégio de prefaciar. Duas são as gratas surpresas ao lermos este livro: a primeira delas é que o autor consegue tratar desse tema complexo de forma clara e didática, quebrando a barreira de que parábola é coisa só para doutores; a outra surpresa boa é que o trabalho aqui apresentado é resultado de vasta e profunda pesquisa acadêmica e apresentando resultados robustos e esclarecedores sobre o tema.
Para ilustrar um pouco do que se apresenta nas páginas vindouras, o autor dessa obra não apenas fez uma revisão da literatura sobre o tema, mas conseguiu de maneira bastante satisfatória relacionar as ideias e as posições de autores clássicos sobre o tema com publicações recentes e recentíssimas nesse campo do saber.
Além disso, a variedade de material trabalhado traz também uma riqueza de informações que nos dá uma visão mais ampla. Na obra que está em suas mãos estão apresentadas discussões de autores ortodoxos, liberais, presbiterianos, luteranos, arminianos, calvinistas, professores universitários, pastores, adeptos da Nova Perspectiva em Paulo e da hermenêutica Histórico-gramatical… Adriano Carvalho consegue organizar essa diversidade de ideias e discuti-las de maneira coerente e informativa. Com certeza o leitor desta obra sai privilegiado com tais discussões.
Mas a riqueza desta obra vai além da pluralidade de linhas teológicas e metodológicas. Este livro também é rico por abordar o assunto por várias vertentes: há nele uma robusta análise textual (palavra por palavra) comentada, uma abordagem clara da questão contextual que envolve esta e outras parábolas, um bom ensino sobre a parábola como forma literária, um discussão muito bem feita de temas chaves envolvidos na interpretação de nossa passagem alvo…
Sobre as palavras chave ou temas polêmicos tratados na obra literária que se apresentará nas próximas páginas, temas muito polêmicos receberam especial cuidado pelo pesquisador. Os tão discutidos em nossos dias “seio de Abraão” e “hades” merecem nesta obra seções específicas e muito bem trabalhadas.
Questões como o viés político-social como pano de fundo dessa parábola não fugiram às hábil pena de Adriano Carvalho. Ele discute esse tema e apresenta evidências e contra-argumentos para essa posição e alerta para exageros e mau uso que alguns podem fazer dessa parábola.
Um grande diferencial dessa obra é o trabalho que o autor apresenta sobre intertextualidade nesse texto. Ele não só levanta e discute esse tema nessa passagem, mas traz, de maneira muito generosa, os textos originais supostamente relacionados com a parábola. Sim, no livro que você tem em mão há estórias completas de tradição egípcia e grega para que você mesmo, com o auxílio do autor, possa ler, interpretar e concluir se há relação da parábola com textos de mitologia antiga.
Prosseguindo com seu modo generoso de escrever, o prof. Adriano traz úteis explicações sobre mitologia grega e egípcia para que sejamos capazes de compreendermos a intertextualidade do texto alvo deste livro. Esta obra ainda traz uma breve, porém útil discussão sobre a parábola com arte literária e muitos outros recursos, como gráficos, tabelas, comparações, que, se fossemos comentar um a um tornariam esse prefácio extenso demais e inadequado para sua função.
Antes de terminar este prefácio, preciso fazer uma confissão a você, caro leitor: eu sou suspeito para comentar este livro por dois motivos: primeiro por eu ser amigo pessoal do Adriano desde os tempos do Mestrado e, segundo, por eu mesmo estar finalizando a escrita de um livro sobre interpretação de parábolas, um assunto que tanto me fascina e ao qual pretendo, em breve, dar minha contribuição.
Por esses motivos apresentados anteriormente e muitos outros que só quem tem o privilégio de conhecer o professor Adriano Carvalho sabem, celebro a publicação deste livro e recomendo fortemente sua leitura para todos os interessados na compreensão das parábolas do Novo Testamento".
            Que Deus os abençoe com essa rica leitura!



 Paul Sant'Anna
Doutorando em Grego na Univ. de Lisboa/Portugal
Mestre em Linguística pela UNESP e em
Novo Testamento/ CPAJ/Manckenzie -SP (inconcluso).
Bacharel em Letras (Grego) e em Teologia
 Pastor Batista e professor do Seminário - SETELIP